sexta-feira, 23 de junho de 2017



Finalmente vou assistir a um concerto de Ludovico Einaudi! Há cinco anos que desejo este momento, mas nunca se proporcionava. Agora, os ventos sopraram a favor! Quando me vi de bilhete na mão nem quis acreditar. É um privilégio saber que estou a uns meses de assistir ao vivo um dos artistas e compositores que eu mais admiro e acompanho. Que emoção e felicidade!!!

quarta-feira, 21 de junho de 2017

DAILY || À varanda


É um dos meus maiores prazeres do Verão; esperar que o dia chegue aquela hora dourada, em a temperatura entra em harmonia com a brisa típica da estação, e sair descalça, de livro na mão, em direcção à cama de rede, na varanda. Há qualquer coisa de simples e mágico neste meu ritual, que me faz sentir melhor, mais próxima das rotinas que me fazem feliz e trazem paz.

A luz do Sol que bate, sem forças impiedosas, nas páginas do livro que leio devagar; o calor que ainda queima suavemente a pele destapada e a perna direita que fica sempre descaída o suficiente para o pé flutuar no chão, onde estico o dedo o suficiente só para dar à cama um ligeiro efeito de baloiço. Os cabelos, quando não estão apanhados, dançam pacificamente com a brisa, sem incomodarem o momento que se proporciona. Alguns brilham com a luz do Sol que os abraça.

Só se ouve o som dos pássaros, das primeiras corujas, dos cães a correr - finalmente felizes e activos por estar menos abafado -, das folhas a baloiçar com a brisa, num ritmo lento e em cadência, como quem se balança envergonhado ao som de um acústico de guitarra. É tudo tão verde e intenso, mesmo que a luz dourada tente competir pela mesma beleza. Ao longe, as planícies repousam pachorrentas e emolduram o quadro verdejante que os meus olhos alcançam quando os desvio de um novo capítulo. 

É tudo tão sereno e no devido lugar. Está tudo no sítio certo e ninguém incomoda. O tempo desfaz-se e as horas passam sem darmos conta. Só vamos embora quando o Sol for também. O chão da varanda ainda irradia calor e aquece sempre a ponta do pé. O som das páginas a virar funde-se bem em toda a melodia que toca lá fora; e a frequência cardíaca desacelera, as pálpebras semicerram e os pensamentos pesados esfumaçam-se. Está tudo no sítio certo e o tempo pertence-me.

São momentos destes que me fazem sentir em casa. Por fora e por dentro.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

EVENTOS || Santos 2017


Eu sempre gostei de Lisboa em clima de festa pelos Santos Populares. Fascinou-me desde que os festejei, há três anos, numa completa aventura nocturna que, ainda hoje, recordo com gargalhadas. Desde 2014 que fiquei na expectativa de regressar e, se mo tivessem dito que só iria voltar a celebrá-los três anos depois, eu não acreditava. Chegava sempre a esta altura do ano com o desejo de voltar a dançar pelos bairros e, inesperadamente, algo colocava-se no meu caminho. Mas não este ano.

Lisboa perde os seus traços urbanos, nos Santos Populares. Aglutina vizinhos que já não se conhecem; faz as pessoas com menos de 60 anos espreitarem à janela; perde os arranha céus e ganha manjericos e bandeiras coloridas; os recantos escuros e assustadores ganham a luz de pequenas lanterninhas improvisadas. O cheiro a cidade funde-se com a sardinha e o grelhador que, durante a noite toda, não pára. A dinâmica dos carros é substituída pelo aglomerado de pessoas que circula, durante toda a noite, pelos recantos de uma cidade que se converte numa aldeia gigante.

O que me encanta nos Santos Populares é esta sensação de proximidade; da cidade que é tão grande e fica tão pequenina, das pessoas que se cruzam connosco e não são estranhos; são os amigos, os colegas, os que conhecemos de vista. Mas todos nos conhecemos. É a senhora das sardinhas e das bifanas que trata toda a gente por "querida" e por "amor". É as músicas mais absurdas que só podem ser suportadas de uma única forma: cantando-as a plenos pulmões.

Eu sempre gostei dos bairrinhos da capital. Não tenho um lugar preferido em Lisboa, mas adoro explorar estes lugares mais resguardados. As escadinhas que todos odeiam, eu não me importo de subir. Os becos escondidos que todos temem, ganham uma luz bonita durante o dia (ou com as luzes dos Santos). As cores dos lençóis estendidos e das fachadas das casas. Os miradouros secretos que têm sempre um casal de apaixonados ou turistas perdidos, que nem imaginam o tesouro que encontraram. Os bairros de Lisboa são muito diferentes da cidade de Lisboa. São muito orgânicos e genuínos. Diz a pessoa de fora, claro. É a minha sensação. É disso que eu gosto, nos Santos. É na terrinha. No bairro. Onde as crianças festejam com os avós e com os primos que já beberam uma cerveja a mais. Onde ninguém se consegue encontrar, mas todos nos cruzamos. Dinamiza, aproxima.

Fiquei muito feliz por voltar a celebrar uma festividade que eu gosto tanto e que me conquistou logo na primeira vez. Espero que este encontro se repita em intervalos mais curtinhos porque sinto-me sempre bem ali. Contente e familiarizada. Nos Santos Populares, Lisboa torna-se a nossa amiga mais querida, que nos recebe na sua sala tradicional e iluminada com um sorriso no rosto, braços abertos e uma quadra gentil na ponta da língua.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

BOM GARFO || Confeitaria Ramos


Bem no meio da Avenida, a Confeitaria Ramos é uma viagem no tempo. Assim que abrimos a porta, entramos num ambiente com uma decoração bem característica, com chão brilhante, mesas com sofás retro, montras à moda antiga e um pequeno balcão para fazer o pagamento.



A estrela deste lugar é o cartucho; achocolatado, fofo, que garante uns bigodes de chantilly muito cómicos e que casa muito bem com um sumo de laranja maravilhoso. É a combinação privilegiada da casa e que eu recomendo. Mas o que faz o meu coração bater mais depressa é uma outra combinação que, desde miúda, me conquista e que não consigo largar: uma nata e um Ice Tea de limão.


Os pastéis de nata da Confeitaria Ramos são de fazer perder a cabeça. Porquê o Ice Tea de limão? Apenas por revivalismo. É o sabor de sempre que eu não quero abdicar porque tem uma familiaridade que me faz feliz. Porque não?

A juntar os cartuchos e as natas, têm ainda os croissants, que nunca experimentei mas que a minha prima aprova - e eu confio nela -. É sempre um motivo para regressar (prometo que, depois, dou a minha opinião sincera). Um lanche obrigatório.

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Avenida Dr. Lourenço Peixeinho, 86 e 88, 3800-159
Aveiro
Contacto: 234 423 289

quarta-feira, 14 de junho de 2017

FAMÍLIA || Olá, Belka!


Apesar do enorme vazio e dor que a partida da Laika nos deixou - que ainda perdura e que, sinceramente, sinto que ficará comigo, para sempre - sabíamos que queríamos continuar a ter patudos na nossa família. Eu sei que esta não é uma visão tão comum assim, especialmente quando perdemos os nossos melhores amigos; há várias formas de ir lidando com a dor e com a saudade e nem toda a gente suporta voltar a ter um companheiro porque o que partiu é insubstituível. E é. Nunca vão encontrar outro igual. Mas eu gosto de ver as coisas duma perspectiva mais alegre: eu tive condições para proporcionar à Laika a vida mais regalada e feliz possível e quero poder proporcionar isso a mais um patudo. Quero dar, uma vez mais, uma família a uma amiguinha.

Confesso que não sabia muito bem como iria lidar com todas as emoções, mas quis participar em todo o processo e, quando a ninhada nasceu, fomos visitá-los. Eram cachorrinhos tão pequeninos que pareciam porquinhos da Índia, minúsculos e frágeis, com uma mãe gigante e protectora a cuidar deles. Não sabia como escolher; a única vez que tinha participado num processo semelhante, tinha sido a Laika a escolher-me; poupou todo o meu trabalho. Como me iria decidir entre todas as fofuras que ali estavam?
O meu pai e a senhora do canil foram pegando em alguns para os vermos mais de perto. Eu dava festinhas em todos eles, mas eram tão bebés que nem reagiam; permaneciam quietos e aconchegados nas mãos, a dormir. Até que o meu pai pegou nela e a magia aconteceu; no meio de todos aqueles pequenos dorminhocos, ela, de olhos bem fechados, levantou a muito custo a cabeça, farejando na minha direcção, e esticou as duas minúsculas patas dianteiras para mim. O meu coração derreteu por completo e peguei-lhe imediatamente ao colo, onde ela se aconchegou no meu peito, pousou a cabeça no meu antebraço e, com a língua mais microscópica que eu já tinha visto, deu-me uma lambidela. Mais uma vez, o meu trabalho foi poupado; ela é que me tinha escolhido e eu não me importei nada.

É uma Rafeira Alentejana, chama-se Belka e o nome não podia ser outro, espacial também. A Laika foi a cadela pioneira, a corajosa que se atreveu a ir ao espaço, onde nunca antes um ser vivo se atrevia a ter ido. Mas não regressou e morreu em órbita. Foi mundialmente famosa e acarinhada. Mas um segundo par de cadelas fez, igualmente, História no universo dos programas espaciais: Belka e Strelka; duas cadelas russas que conseguiram o impensável: foram ao espaço mas, pela primeira vez na História, regressaram. Foram os primeiros seres vivos a ir ao espaço e a regressar à Terra sendo, portanto, também muito emblemáticas.



Um mês depois, voltámos a visitá-la para ver como estava agora, mais crescida. Fomos acompanhando as fotos e vídeos que os criadores publicavam com tanta assiduidade e estávamos desejosos de poder vê-la mais autónoma, de olhos abertos e, com certeza, mais reguila. O meu coração acelerou quando a senhora a estendeu para os meus braços; ali estava ela, ao meu colo outra vez, com o seu olhar melancólico, as suas sardas no nariz e a mancha na cabeça igual à da mãe. Do nada, deu um pulo, meteu as patas nos meus ombros e aninhou a cabeça no meu pescoço, como num abraço. A melhor emoção do mundo. Como se fôssemos amigas desde sempre, desde a vida toda, e estivéssemos a reencontrar-nos e a pôr o amor em dia. Estou radiante por voltar a sentir esta alegria de ter uma companheira de quatro patas.


quinta-feira, 8 de junho de 2017


Nos Favoritos de Abril, pedi a Maio que fosse gentil comigo. E depois de um mês tão intenso e marcado por momentos menos bons, Maio chegou com o Sol e foi, de facto, muito gentil comigo, recheando os meus dias com acontecimentos incríveis e que me arrancaram sorrisos do rosto. E que quero partilhar convosco, como faço todos os meses. YAY!

domingo, 28 de maio de 2017

ISTO É TÃO INÊS || 10 Coisas Que... Ainda Não Aprendi


O que não falta por esta blogosfera fora (e mais além) são aprendizagens. Sobre tudo e dos mais variados aspectos. Até aqui, pelo Bobby Pins, encontram uma série de exemplos disso. E é extraordinário poder partilhar convosco - e vocês comigo, quando fazem este tipo de publicações - estas conclusões, estas aprendizagens que vamos arrecadando consoante as nossas experiências, relações e histórias. Mas, hoje, gostava de partilhar convosco o que ainda não aprendi. Existe uma infinidade de coisas que ainda não concluí. Que até sei... Mas ainda não aprendi. Não interiorizei. Não afirmei em mim mesma e que, talvez, um dia, venha a aprender. A verdade é que ainda tenho muito para viver e oportunidades que, certamente, vão permitir-me chegar a estas aprendizagens! Mas se passamos a vida a partilhar o que já aprendemos, porque não reconhecer o que ainda nos falta interiorizar? É um exercício de reflexão inverso, mas igualmente bom. Experimentem. Enquanto isso, eu ainda não aprendi...

sábado, 27 de maio de 2017

BOM GARFO || Pizzarte


Tenho uma listinha de todos os meus lugares preferidos de Aveiro, e a Pizzarte faz parte dela. Não me recordo de que idade tinha quando lá entrei pela primeira vez, mas sei que tinha dentes de leite e que comi uma carbonara divinal.

A Pizzarte é um espaço de comida italiana excepcional. Numa localização péssima para estacionar e onde temos sempre de lutar para conseguir uma mesa (cheguem cedo!), compensa-nos com o seu ambiente claro e aberto, com os empregados sempre divertidos e simpáticos - passe o tempo que passar - e com o icónico tabuleiro de Xadrez gigante, onde eu jogava com o meu pai enquanto esperávamos que os pratos chegassem - e que depois fez as minhas delícias quando o primeiro Harry Potter estreou e eu fingia que era o Xadrez dos Feiticeiros -.


Desde a primeira visita, muitos pratos passaram por mim, entre carbonaras e margheritas mas, para que seja uma opinião fiel, para esta visita mais recente, pedimos uma quattro stagioni com os ingredientes todos misturados. Supostamente, a pizza é dividida em quadrantes e cada quadrante tem determinados ingredientes, mas nós preferimos misturar. E estava deliciosa, como sempre. A pizza é de massa fina e o que brilha é a riqueza dos ingredientes. São de qualidade, são escolhidos a dedo e fazem a diferença na hora de degustar uma pizza cheia de sabor.

É a minha recomendação prioritária quando sei que alguém vai a Aveiro e é a minha paragem obrigatória, quando regresso. A Pizzarte nunca desilude e tem sempre um ambiente leve e descontraído. É perfeito para o vosso jantar de amigas e descobri que, agora, faz entregas ao domicílio. A minha barriguita e carteira agradecem que não more em Aveiro.

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Rua Engenheiro Von Haff, 27, 3800-177
Aveiro
Contacto: 234 427 103

sexta-feira, 26 de maio de 2017

DESPORTO || 5º Trilho das Lampas


No passado dia 13 de Maio, decorreu o 5º Trilho das Lampas, em São João das Lampas, composto por 10 km de caminhada por entre caminhos e trilhos do Parque Natural Sintra-Cascais, enquanto o Sol se punha. A hora é escolhida a dedo para que possamos presenciar o pôr-do-Sol enquanto andamos no meio dos vales, e para que terminemos o percurso já de noite, com direito a guias de luz, tochas e lanternas, criando um efeito mágico.


Com o vislumbre do Palácio da Pena num lado e do Convento de Mafra do outro, não podia deixar de partilhar convosco aquela que, para mim, foi uma das provas mais bonitas que realizei. Embora esteja muito bem assinalada, a sensação de que estamos a embrenhar-nos na natureza é envolvente e desperta o nosso espírito mais aventureiro e curioso. É perfeita para quem gosta de passeios ao ar livre e para quem adora explorar serras e vales.


São garantidas muitas subidas puxadas, descidas, alguma lama e água, pelo que vos aconselho a levarem o calçado apropriado (ou um extra, depois de terminarem a prova). Ténis de trail - se já os tiverem - ou calçado próprio para serra é o ideal. Mas também estão garantidos horizontes de perder de vista, paisagens verdes fascinantes, o som constante dos pássaros, rãs e da água a correr nos riachos e cascatas, sem se escutar mais nada que não esta melodia e o ruído dos nossos passos. 


Curiosa e exploradora como sou, não resistia e entrava em trilhos paralelos e escondidos para ver cascatas, pequenos lagos e recantos escondidos e quase-secretos para quem segue a caminhada sem olhar ao redor. E dá vontade de nos escondermos nesses cantinhos para sempre. Parecem vir de um conto de fadas.

Esta edição já decorreu, mas estou a partilhá-la convosco porque existe sempre uma outra prova em Setembro, mais alusiva às festividades de São João das Lampas (a um pulinho de Sintra) e para a qual ainda podem inscrever-se. É perfeita para quem realmente gosta de se perder na natureza e de bons passeios. É inesquecível. Se tiverem possibilidade, não deixem de participar. Ou reservem um dia para fazerem uma visita ao Parque, que é deslumbrante.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

PASSAPORTE || Voltei para os teus braços, Aveiro


O regresso não foi planeado, nem sequer esperado, mas necessário. Com o tempo a contar e muitos locais a atender, fomos para Aveiro para um dia em completa correria. Ainda assim, eu fui de coração sorridente. Ia regressar aos braços de uma velha casa.
Aveiro é sempre um espaço de refúgio, para mim, seja qual for o motivo de visita. Sinto que, em grande parte, se deve por ter marcado tão fortemente a minha infância e crescimento; a maioria das minhas recordações de infância, das minhas memórias de adolescente, as aventuras felizes, as asneiradas, as histórias que ficam para contar, foram em Aveiro, em Ílhavo, na Costa Nova, na Praia da Barra, na Vagueira...

E sempre que regresso, as coisas já não estão iguais mas a essência permanece, imutável; o sítio que me viu aprender a andar numa bicicleta azul, sem rodinhas, em cinco minutos - com o meu pai todo orgulhoso e vigilante -; os parques onde a minha mãe gramava pastilhas gigantes porque eu queria ficar horas ao baloiço; os lugares - agora fechados, por culpa do tempo que não volta atrás - onde íamos parar depois de uma noitada de tasquinhas; o Estádio, onde passávamos horas depois de um jogo; o Autocarro Bar, palco da maior parte das nossas noitadas; o Fórum, onde fizemos um combate de pipocas épico, minutos antes de o Harry Potter e o Príncipe Misterioso estrear.

Há qualquer coisa de puro, que eu deixei ali. Uma inocência que já não volta - e é natural que não volte, faz parte -, uma Inês novinha e doce, uma Inês adolescente e a aprender a conhecer-se. Quando regresso, abraço todas essas memórias e reencontro-me com os lugares que me fazem feliz.

Deu para fazer o essencial, rever a família, dar o apoio que a nossa pessoa necessitava, comer as coisas que mais tinha saudades, nos sítios que queria. Deu para me sentir mais Inês que nunca, porque é um local que respira o meu nome, onde adoraria morar. E despedir-me custa sempre, especialmente quando é um Olá curtinho. Fico sempre com o nó na garganta, o apertozinho no coração. Mas sempre tão feliz. Sou sempre tão feliz, em Aveiro. Cidade de muita gente e onde muitas pessoas da minha vida já lá passaram, em visitas longas, em visitas rápidas. Mas, a essas pessoas, eu peço que me permitam o egoísmo: Aveiro é minha. O meu lugar. O meu refúgio. O lugar mais Inês do mundo. Que me recebe sempre de braços abertos e de lágrimas nos olhos, dizendo-me "Oh Inês, tinha tantas saudades tuas, gaiata!"