quinta-feira, 30 de março de 2017

TECH || Consola Sega Mega Drive Classic Games


Já lá vão os tempos dos jogos pixelados aprisionados em disquetes que tínhamos de soprar para que funcionassem numa consola de aspecto futurista. O mundo gira agora em torno de digitalização dos jogos, bluetooth, internet e muitas outras inovações e grafismos que colocam as consolas antigas num cantinho. No entanto, são essas consolas que representam a nossa infância, as tardes a jogar Sonic, Mortal Kombat ou a fazer parcerias com amigos em jogos 'eu contra o bairro'. E é por estarem neste lado mais nostálgico do nosso coração, que o retro regressa sempre.

É uma nova versão da antiga consola e eu tive oportunidade de a experimentar, jogar, e divertir-me à brava. Com pequenos sopros de modernice, os comandos são wireless e o conjunto é tão leve e pequeno que se arruma num ápice e pode ser levado para todo o lado - perfeito para encontros na casa dos amigos -. Mais incrível ainda é esta edição da consola incluir 80 jogos clássicos, que incluem Sonic, Mortal Kombat, Shinobi, Bonanza Bros, Golden Axe, entre muitos outros. Como os jogos já vêm incorporados na consola, uma vez mais, torna-se muito mais simples de a levar para todo o lado sem ter 80 disquetes atrás.

Foi tão giro rever os jogos da minha infância! As músicas, os gráficos péssimos mas nostálgicos e, acima de tudo, a sensação de elemento aglutinador, que trouxe a toda a gente para se reunir na sala e jogar. Não eram os jogos daquela época que nos faziam tão felizes mas sim a companhia, a tarde que rendia de gargalhadas, de competição, de pausas para o lanche, de despreocupação porque não havia responsabilidades de adultos. E estes jogos voltam a trazer esse espírito. Não têm gráficos melhores mas todos sabemos como se jogam e qual era o objectivo. Todos queremos participar.

Avaliando a relação qualidade-preço, considero que está a um custo justo e acho que é um presente super original e incrível para oferecerem. Se o presenteado for da minha geração, garantidamente vai ficar de olhos a brilhar com este pequeno tesouro. Adorei.

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quarta-feira, 29 de março de 2017

MUNDO || Quem convidavas?


Uma pergunta cliché, um desafio já conhecido e partilhado por quase toda a gente, uma pergunta quase vulgar; se pudesses convidar sete pessoas que quisesses, vivas ou mortas, para jantar e conversarem contigo, quem convidavas?

A vulgaridade do desafio faz com que muita gente responda ao desbarato - ou nem responda sequer, tal é o aborrecimento -, sem sequer se aperceberem de um detalhe soberbo neste desafio: revela muito da nossa identidade. Afinal de contas, o desafio oferece-vos a possibilidade de qualquer personalidade da Humanidade jantar e conversar convosco, o que significa que, o que quer que respondam, vai reflectir muito da vossa personalidade.

Convidavam apenas para apertar a mão ou para conhecer mais? E será que o que querem conhecer não existe já, noutros lugares, comprovado e confirmado, e só não o sabem por pura ignorância? O convite seria um acto de admiração, vaidade, poder, (re)conhecimento ou utilidade? E o que é que poderiam retirar desse jantar? Mais do que a lista de pessoas que fariam para o vosso jantar, aquilo que torna este desafio tão fascinante é que é precisamente o propósito dos convites que vos revela. Milhares de pessoas poderiam convidar exactamente a mesma pessoa, por motivos diferentes. O que iriam retirar desse jantar é o que vos representa.

Acima de tudo, não desdenhem o desafio nem tomem por certo quais seriam as respostas dos outros. Ficariam surpreendidos com o que as vossas pessoas iriam responder. Eu já me fiz esta questão vezes sem conta e acho que já tenho uma resposta quase certa. Mas fiz muitas questões além da habitual "porquê?", antes de chegar a esta conclusão.

Convido-vos a fazerem o mesmo exercício; um jantar e sete pessoas - vivas ou mortas e podem escolher quem quiserem, no mundo inteiro - para conhecer. Quem escolheriam? Não partilhem a resposta comigo, simplesmente reflictam nas escolhas que fariam mas, acima de tudo, façam as perguntas certas. É muito mais do que um desafio cliché.

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terça-feira, 28 de março de 2017

FILMES || A Bela e o Monstro


"Nós esperamos por ti para ver o filme mas, que fique registado, vamos todos vê-lo assim que chegares!" e lá fui eu, umas horas depois de chegar a Portugal, ter com eles para ver o filme por que todos aguardámos tanto tempo. 
Ao contrário da minha companhia e da maior parte das pessoas - aparentemente - A Bela e o Monstro não é o meu filme preferido nem a Bela é minha princesa preferida da Disney (a Mulan vai ter um lugar eternamente especial no meu coração e vai ser sempre a minha princesa preferida) mas eu estava morta de curiosidade para ver esta adaptação.

O filme está, de uma forma geral, fiel à longa metragem de animação que nos encantou em miúdos, tirando algumas particularidades que foram alteradas - há um detalhe desta história que vai de encontro à história original d'A Bela e o Monstro (que eu só sei por causa do livro que recebi no meu aniversário, obrigada Margarida!!!) - e outras revelações acerca do passado das personagens, que torna o filme inovador e mais rico, sem que perca a essência original que nos conquistou na infância.

Imperativo elogiar o brilhantismo dos efeitos especiais, da fotografia, do guarda-roupa e dos cenários porque, afinal de contas, A Bela e o Monstro é uma história encantada e são estes pormenores técnicos que fazem com que a magia se reflicta nos nossos olhos fascinados. Tudo foi pensado com o máximo de pormenor e empenho, garantindo cenas cheias de qualidade, esplendor, de brilhos, luzes, focos e cores que valem a pena assistir numa sala de cinema. Aliás, acho que é impossível alguém ficar de boca fechada na cena mítica do baile. Para mim, foi o momento mais deslumbrante, bonito e encantador de todo o filme.

Achei que foi uma facada brutal eles terem passado uma das falas mais importantes do filme para o bule - essa fala pertencia inteiramente ao Monstro e só assim é que fazia sentido. A transição de personagem fez com que todo o contexto perdesse um pouco a sua intensidade e beleza - mas adorei o desenvolvimento da personagem Bela, interpretada brilhantemente pela Emma Watson. Neste filme, apresentam uma princesa determinada, lutadora, heroína, com forte presença de espírito e muito independente. A animação já a começava a retratar assim mas acho que, nesta versão, deram os retoques finais. Tem sido também digno de registo por aí fora os elogios à voz de Emma Watson mas, não desmerecendo a mesma, os meus holofotes vão inteiramente para o tenor precioso de Dan Stevens, com os seus graves imponentes em Evermore - uma música que eu acho muito inteligente, é o primeiro príncipe da Disney a dizer que se sente inspirado pela sua amada, a princesa.

Para mim, esta versão responde, à altura, às expectativas de todos os fãs da Disney. Faz-nos sentir inspirados com todas as histórias dos personagens, faz-nos cantar baixinho as músicas que já sabemos de cor (embora haja a introdução de temas originais que, na minha opinião, misturam-se muito bem com o repertório das outras), faz os nossos olhos brilhar e faz-nos sentir crianças outra vez. E era só isto que eu pedia.

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segunda-feira, 27 de março de 2017

PASSAPORTE || La Somone, Senegal


Foi o local da nossa estadia, a duas horas de Dakar, uma zona balnear e paradisíaca. Talvez seja porque fomos em época baixa, talvez seja porque o Senegal ainda não é muito turístico ou talvez seja a própria política do hotel onde estivemos mas, de todos os lugares exóticos que fui, este foi o mais tranquilo e que me relaxou mais.



A água tinha uma cor, dinâmica e temperatura muito semelhante à de Portugal, o que conferiu a todo o lugar uma sensação de familiaridade que não vão encontrar num lugar como as caraíbas, por exemplo. O hotel não tinha quase ninguém - por ser época baixa - e os poucos que marcavam presença eram casais franceses reformados. Achei o maior amor ver tantos casais juntos passados tantos anos, ainda com a vontade de dividirem novas experiências juntos. Foi um lugar onde não vi nenhum casal de telemóveis em frente à cara mas sim a dividir a mesa com conversas, panquecas e sorrisos. É impossível olhar para todo este cenário e não desejar um igual para nós. 


Foi o primeiro hotel, neste registo, que não tinha músicas agitadas a passar nas colunas o dia todo. Nos dois outros hotéis em que estive (em Punta Cana e em Varadero), de manhã, a praia enchia-se de música animada, à tarde era a zona da piscina. Neste hotel, além da praia, existiam duas áreas de piscina e uma delas nunca tinha música. A outra só passava jazz e bossa nova. Conseguem imaginar o que é estar a nadar calmamente, sem preocupações, enquanto ouvem uma balada de Amy Winehouse? Eu consigo e já sinto saudades.

Foi também o hotel com mais brio onde já tive. Os jardins eram constantemente tratados, todos os animais eram cuidados, as infra-estruturas limpas e arranjadas a todas as horas. E foi também o restaurante mais higiénico, com um enorme respeito pelo HACCP, pelas temperaturas, mantinham à distância todos os animais e insectos... Foi maravilhoso.


Senti-me leve, em La Somone. Tranquila, serena. Senti uma paz e reconciliação comigo mesma que não senti, da mesma forma, em Punta Cana e Varadero. O sol a marcar as minhas sardas e a rosar as maçãs do rosto, a música maravilhosa a abraçar o som das ondas do mar, as palmeias esvoaçantes, a luz daquele lugar... Foi inexplicável, mas muito especial.

domingo, 26 de março de 2017

LIVROS || We Should All Be Feminists

Durante uma palestra no TEDx, Chimamanda Ngozi Adichie protagonizou um dos discursos feministas com maior impacto, na actualidade. Foi um momento de proporções tão grandes que as suas palavras foram partilhadas em, praticamente, todo o lado. O seu discurso ficou tão célebre que decidiu fazer uma adaptação do mesmo para livro.

O We Should All Be Feminists expõe tudo aquilo que eu acredito que é o Feminismo; uma luta actual, urgente e que toca a todos os seres humanos. É um problema inegável de géneros e que não acontece só aos outros nem em países distantes. Mas, principalmente, explica todos os pontos que geram mais polémica em calorosas discussões e a razão pela qual os homens devem fazer parte. 

Já ouvi muitas vezes homens a dizer "Eu sou totalmente a favor do Feminismo mas não sou Feminista porque esta luta é das mulheres" e é um erro muito comum que não faz sentido, uma vez que o Feminismo abrange os homens também e é aqui que eu acho que o livro tem uma pertinência brilhante: inclui. Fala sobre a forma como a sociedade e os costumes também ditam muitos dos comportamentos dos homens e fá-los reflectir sobre o quão injusto é para eles também. E, claro, aborda esta interacção entre géneros, estes comportamentos frustrantes e ilógicos - muitos deles feitos de forma natural e sem que dêem conta - que elevam a urgência da existência do Feminismo nos tempos de hoje. Porque eu acredito que não avançaremos apenas falando para as mulheres. Avançamos quando todos os seres humanos são educados e provocados a pensar em assuntos e particularidades que a maior parte não tira tempo para reflectir.

É um livro sobre Feminismo que não é chato, que flui de uma forma inspiradora, é curtinho - afinal de contas, é a adaptação de um discurso -, conseguem ler tudo numa tarde e, a melhor parte, é gratuito. O livro foi disponibilizado para várias plataformas, a fim de chegar a mais pessoas, e uma breve pesquisa no Google resulta num leque sem fim de links para ler - eu poupo-vos o trabalho e partilho convosco o link que escolhi para ler o livro -. 

Recomendo muito a leitura. Foi enriquecedor, foi uma lufada de ar fresco, foi inspirador e fez-me reflectir, acima de tudo. Mesmo em assuntos que, anteriormente, já me tinham ocorrido na mente. É um livro que todos deviam ler. Mulheres e homens.

Autora: Chimamanga Adichie
Número de Páginas: 20

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sábado, 25 de março de 2017

PASSAPORTE || Dicas e factos sobre o Senegal (parte I)


1. O Senegal é um dos países mais pobres de África e o choque começa ainda durante a aterragem, quando o avião sobrevoa as moradias próximas da pista. É um choque como nunca antes senti, embora já tenha visitado países com uma grande desigualdade social, como República Dominicana e Cuba. Assim que vi a terra batida, as casas sem luz e muito degradadas, as paisagens sem as mínimas condições, o meu coração apertou-se.

2. A língua oficial é o francês, embora existam alguns dialectos específicos entre povos e etnias. Se planearem visitar o Senegal, façam questão de fazer umas rápidas revisões no francês porque não falam outra língua convosco. Podem tentar arranhar o inglês convosco, mas será uma conversa em vão porque não vão além do "Hello", "What's Your Name?" e "Where Are You From?". Se disserem que não falam francês eles respondem "Okay, I understand" e depois continuam a falar contigo, na mesma, em francês.


3. É um destino muito pouco turístico e eu comprovei esse facto assim que disse às minhas pessoas que ia ao Senegal. "Que vais lá fazer?" aliás, o co-piloto do avião de regresso a Portugal ficou muito surpreendido de estar ali em férias; "Nem fazia ideia de que havia alguma coisa para se ver no Senegal". É um lugar completamente esquecido no meio dos outros destinos excepto pelos franceses, pela facilidade linguística. Fomos os únicos portugueses a embarcar para o Senegal e não encontrámos outros turistas de outros lugares sem ser de França. Parecendo que não, este pormenor tem uma vantagem gigante: é um país muito genuíno e sem grandes influências turísticas. Evidentemente, há o que fazer no Senegal - as próximas publicações são a prova disso - e todas as experiências e pessoas que conhecem são espontâneas e naturais. Não falam com vocês com a ganância de conseguir dinheiro, os lugares que visitam estão muito preservados no seu estado original e não se vêem sufocados numa avalanche de turistas. Por tudo isto, a vossa viagem torna-se muito mais enriquecedora, tranquila, cultural e original. Nada do que eles estão a fazer ou a mostrar tem objectivos terceiros ou é show-off.

4. O desporto rei é o combate de vale tudo, a capital é Dakar, a religião principal é o Islamismo. 


5. Uma das imagens de marca do Senegal é uma espécie de árvore chamada Baobab. Também lhe chamam "Upside down tree" porque os ramos cheios de cornucópias parecem as raízes das árvores, criando a ilusão de que está virada ao contrário. E se estão agora a pensar "Nunca tinha ouvido falar de/visto tal árvore" permitam-me perguntar-vos: já leram O Principezinho? Então garanto-vos que as conhecem, já que fazem parte da história. 
Os Baobab são excelentes retentores de água devido aos seus troncos largos e gigantescos, portanto, é muito comum verem muitos deles plantados mesmo ao lado das casas dos senegaleses. A árvore previne que as casas alaguem durante as cheias, como se fosse uma esponja. São também árvores que duram muitos anos e a mais antiga do país tem 2400 anos - já pensaram no quanto esta árvore já "viu"?

6. Assim como em Portugal temos uma palavra sem tradução, a Saudade, no Senegal também existe uma: Teranga. O significado é o respeito pelo próximo. Este é um país repleto de etnias, povos e culturas diferentes, tornando-se um reflexo de diversidade. No entanto, é também um país muito pacífico por assentar os seus valores no respeito da crença, história, cultura e tradições de cada etnia.

7. Os Senegaleses são extraordinariamente gentis, genuínos e valorizam muito os seus visitantes (do seu próprio país ou de outros). Embora vivam com muito pouco, todos os dias, cozinham uma refeição de manhã, que deixam na mesa até às cinco da tarde. Esta refeição serve para que, se alguém os visitar, possa ter o que comer. Caso não recebam quaisquer visitas, essa refeição é deixada para os filhos poderem ter o que jantar. O convidado é sempre uma prioridade e tem sempre à sua disposição, em todas as casas, água, comida e, se necessário, um quarto para dormir. É um povo que abdica de todo o seu conforto pelo bem estar do seu visitante.


8. A poligamia ainda é legal, embora esteja a cair em desuso. É um costume mais comum em locais mais rurais. No entanto, a homossexualidade é ilegal.

9. Um salário mínimo corresponde aos 150 euros, mas os bens essenciais podem chegar a custar o mesmo que em Portugal. O combustível custa o mesmo que no nosso país e 1kg de arroz/açúcar/farinha pode chegar a custar mais de 1 euro. O cimento é considerado um bem material de luxo, razão pela qual encontram ainda muitas casas em madeira ou verdadeiras cabanas.

10. As principais etnias do Senegal são a Pular e a Serer. Os Serer originais correspondem aos antigos escravos do Egipto, que construíam as pirâmides aos Faraós.

sexta-feira, 24 de março de 2017

BOM GARFO || Majestic Café


Um ponto obrigatório para estreantes no Porto, como eu fui, o café deslumbra de imediato pela fachada clássica, cheia de detalhes e pormenores, com um vitral maravilhoso e um aprumado empregado que nos abre a porta para uma outra época passada. No interior do Majestic Café, parece que o tempo parou nos loucos anos 20. Não foi a despropósito que foi considerado o sexto café mais bonito do mundo, em 2011.

Começo este relato pelo Majestic com um conselho precioso: visitem-no fora de horas de ponta. Não pensem em desfrutar deste café na mesma altura que toda a gente pensa (meio da manhã ou hora do lanche). Nós visitámo-lo imediatamente a seguir ao almoço e foi a hora perfeita. Não apanhámos fila, tivemos direito a uma mesa fantástica e a rapidez do serviço foi considerável.


O Majestic Café é um espaço repleto de requinte e elegância, que brilha pelas luzes dos seus maravilhosos candelabros e pelos reflexos dos seus espelhos gigantes. Faz parte da experiência perdermos muitos minutos a olhar para o tecto, para os pormenores, para as janelas, para os móveis com os serviços. É como uma máquina do tempo que nos faz sentir um privilegiados por podermos estar ali, naquele lugar, a desfrutar de um maravilhoso lanche.


Pedimos scones, earl grey e um chocolate quente. A combinação perfeita. O serviço de loiça que pousaram na mesa era puro amor. Segundo a companhia, o chocolate quente era delicioso e bem liquido (detestamos aqueles chocolates quentes que se comem à colher), o chá Twinings - perfeito - e os scones? Bom, já referi nos Favoritos de Janeiro: foram os melhores que já comi (e olhem que já comi muitos). A massa estava soberba e junto com os scones vieram dois potes com doce e um com manteiga. Foi o lanche ideal.


Surpreendo-me sempre quando oiço reclamações do preço a pagar quando se visitam espaços como o Majestic. Não estamos só a pagar uns scones com chá. Estamos a pagar o serviço. O empregado que estava à nossa espera à porta e nos tratou com deferência; a empregada que nos serviu com a maior das atenções e cuidados; a loiça maravilhosa que nos dispuseram na mesa; os ingredientes de qualidade, as melhores marcas de chá. E o próprio privilégio do espaço. A conta não me surpreendeu e achei-a justíssima. Não é um espaço que pudesse visitar todos os dias (acreditem que, se pudesse, ia todos os Domingos comer scones e ser feliz) mas recomendo completamente a visita - mais do que uma vez - e espero que, quando regressar ao Porto, possa fazer um regresso a este café maravilhoso também.

Quando saímos, já perto da hora do lanche, a fila dava uma curva. Os conselhos da Inês são sempre preciosos. Privilegiem o que vos deixei cá em cima!

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Rua Santa Catarina, 112, 4000-442
Porto
Contacto: 222 003 887

quinta-feira, 23 de março de 2017

FILMES || Beleza Colateral


Howard é um publicitário de sucesso que acredita que existem três - e apenas três - bases essenciais, na vida: o Amor, o Tempo e a Morte. É durante o sofrimento derivado de um abalo pessoal, que o protagonista resolve recorrer a estes três essenciais, num acto de desespero, escrevendo-lhes. E é quando tudo lhe parece perdido, que o mais inesperado acontece; e se eles respondessem?

O Beleza Colateral conquistou-me num sopro. Numa dinâmica muito mais parecida com séries do que com cinema, este é um filme com uma história envolvente, muito bem contada, reconfortante e inesperada. Faz-nos reflectir sobre o luto, o amor e as suas formas mais invulgares e a vulnerabilidade do tempo. É um filme de superação, de diálogo interno, de confrontação. O fim, para mim, foi imprevisível.

Foi uma tentativa falhada aos Óscares e identificamos facilmente porquê quando o assistimos. Faltavam ali alguns pormenores - técnicos e de argumento - para dar o 'empurrãozinho', mas não se inferioriza por isso. É um filme maravilhoso que espetou um punhal numa consideração que, em tempos, cheguei a escrever aqui: nem sempre a pessoa que tem todas as respostas às nossas perguntas tem a capacidade para nos dar.

quarta-feira, 22 de março de 2017

INSTAGRAM || @prosadecora


O perfil @prosadecora é puro amor. Não é apenas mais uma conta de ilustrações queridinhas, é uma fonte de inspiração e candura. Os traços do desenho, a fonte da letra, as frases lindíssimas fazem-nos apaixonar de forma imediata mas, confesso, a minha perdição é pelas metas semanais. 

Todas as segundas-feiras, a Malena Flores (ilustradora), publica sete metas para cada dia da semana e cada uma é mais inspiradora, motivadora e amorosa que a outra. Incentiva-nos a cuidar de nós, a cuidar dos outros, a agradecer por todas as coisas boas e a aprender com todas as coisas más, desafia-nos, sugere-nos e recomenda-nos. Eu adoro ser surpreendida todas as semanas com uma meta tão especial e cuidada.

É um gatilho de sorrisos. Quando abro o Instagram e vejo uma nova publicação com um desenho talentoso, simples e cuidado e com uma frase tão talentosa, eu só consigo sorrir. Existem pessoas tão talentosas neste mundo e todas as referências, sucessos e recomendações são válidos e nunca demais. Esta é a minha deferência ao talento da Malena. Ficam aqui algumas preferidas - como se fosse fácil escolher -.




sábado, 18 de março de 2017

FAMÍLIA || 7 Coisas que Aprendi com a Mãe


A gostar de escrever: estava no 2º ano quando a minha mãe ofereceu-me o meu primeiro caderno recreativo. Era laranja e tinha um hipopótamo em relevo a 3D. Foi o primeiro caderno sem regras que veio parar às minhas mãos. Não tinha de escrever letras vezes sem conta, nem de fazer exercícios nele. Não tinha sequer de fazer cálculos. "Podes escrever tudo o que quiseres. Podes escrever tudo o que imaginares", disse-me. Rapidamente as minhas histórias que inventava entre brinquedos transitaram para o papel. Nele escrevia, quase todos os dias, contos. Mirabolantes, cheios de erros de ortografia e alguns sem o menor sentido de cadência e propósito, claro, mas é assim que se começa. Escrevia até não me apetecer mais e depois mostrava à minha mãe, para ela ler. Foi assim que ganhei o hábito de escrever, de querer partilhar, de querer contar e imaginar, ser criativa. Não sei qual teria sido o meu rumo se não tivesse recebido aquele caderno do hipopótamo. Talvez não estivesse aqui, a escrever um blog. Talvez só descobrisse esta paixão muito mais tarde. Facto é que ela sempre apoiou muito a minha veia de escrita e fazia os devidos comentários construtivos. Sinto sempre que abracei esta paixão tão cedo graças a ela.

A gostar de basquetebol: foi o desporto dela e onde dedicou grande parte da sua vida. Começou nova e atingiu títulos, tornou-se capitã e consagrou-se campeã nacional, jogou na selecção e abdicou de uma vida de adolescente comum para ter uma rotina de atleta federada. O basquetebol faz parte do seu DNA e era impossível não o ter passado para mim. Foi com ela que compreendi o lado incrível e excitante desta modalidade, que discuti as minhas técnicas e dificuldades, que vi jogos à sexta-feira à noite e que joguei 1x1. É, também, o desporto da minha vida e sei que só é assim porque encontrei, durante toda a minha vida, referências vindas de alguém da minha inteira confiança e amor.

Não é admissível faltas de respeito, seja de que parte for: a nossa vida inteira é feita de relações, de hierarquias, de colegas, amigos, familiares e parceiros, que exigem as devidas deferências e respeito mas ninguém, absolutamente ninguém tem o direito de ser cruel a bel-prazer, ninguém tem o direito de fazer uso da sua autoridade ou da sua relação connosco para abusarem de nós, para nos diminuírem, para nos ameaçarem. Não é admissível alguém insultar-nos, troçar-nos ou prejudicar-nos por simples vontade. A minha mãe ensinou-me que não me posso permitir a baixar os braços quando alguém é injusto, mal educado ou falta ao respeito comigo e a defender a minha posição enquanto ser humano que não merece, de todo, qualquer intimidação.

O medo não me pode paralisar: a ansiedade não é fácil e juntá-la à insegurança não ajuda. Nos primeiros tempos em que desenvolvi mais significativamente a minha ansiedade, sentia-me assustada com todas as emoções e pensamentos que intoxicavam a minha mente e esmagavam o meu peito. Não conseguia reagir, simplesmente queria fugir e gritar. A minha mãe esteve lá em todos os momentos mas, mais importante, agarrou-me nas mãos com força, olhou-me nos olhos sem qualquer ponta de incerteza e disse-me "O medo não te pode paralisar e tens de repetir as vezes necessárias que isso que estás a sentir é temporário e não se pode sobrepor a todas as coisas maravilhosas que estás a perder por medo de falhar". Não posso deixar que o medo de falhar, de não conseguir, de ter milhões de tarefas inacabadas para cumprir me torne num vegetal intelectual e evolutivo. Ela ensinou-me a aceitar a ansiedade mas nunca, sob nenhuma hipótese, deixar que ela saia por cima. Ensinou-me a controlar os ataques de pânico e teve sempre as palavras certas para quando sofria alguma crise. Foi ela que me ensinou a ir em frente mesmo que o meu coração esteja na boca, a continuar a trabalhar mesmo que toda eu esteja a tremer com medo de não ver as tarefas terminadas, a dizer que sim mesmo que todos os meus pensamentos me remetam para "que estupidez, não o faças, vais falhar". O medo não me paralisa nem me impede de me permitir arriscar e aceitar oportunidades.

A colocar-me no lugar dos outros: por muito que a nossa vida seja ocupada, preenchida e cheia de voltas e reviravoltas, é fundamental colocarmo-nos no lugar do outro, nunca tirar conclusões precipitadas nem certezas dúbias e darmos a devida atenção às nossas pessoas. Não opino sobre relações das quais não faço parte, tento sempre colocar-me no lugar dos outros para observar e avaliar tudo aquilo por que passaram para chegar a determinada decisão e tenho o toque essencial para compreender que há coisas que não se dizem, expressões que devem ser evitadas em determinados momentos, que frontalidade não é o mesmo que inconveniência gratuita e que eu não sou ninguém para julgar seja quem for, mesmo que eu não escolhesse os mesmos caminhos que essa pessoa. A minha mãe ensinou-me a estar com os outros sem perder a noção da realidade e ficar alheia aos sentimentos, decisões e obstáculos dos que me rodeiam. Ensinou-me a estar atenta às minhas pessoas, a compreender aquilo que é mais importante para elas (mesmo que não seja, de todo, importante para mim) e a respeitar aquilo que elas valorizam. Os meus amigos gostam de afirmar "sabes sempre o que dizer" mas isso é porque a minha mãe me ensinou a pensar como seria estar no lugar deles e a indagar o que eu precisaria de ouvir naquele momento e o que não faria sentido nenhum ler numa mensagem. 

Não é necessário sermos frios para sermos fortes: calculismo, insensibilidade, falta de empatia e espírito vingativo não são sinónimos de força. Eu posso ser amável para todos os que me rodeiam e, mesmo assim, poder dizer "não". Eu posso ter sensibilidade e um espírito sonhador sem que isso comprometa a minha capacidade para agarrar os meus sonhos e lutar por novos projectos. Eu posso dar o meu coração inteiro a alguém sem que isso justifique perder o meu lugar e o meu direito a ser respeitada. Eu posso ter compaixão com os outros sem perder os meus objectivos. Eu não tenho que passar por cima de ninguém para chegar onde quero, eu não tenho de fechar o meu coração para me permitir a sentir "invencível", eu não posso desligar-me das emoções nem colocar uma máscara de impenetrabilidade só para transmitir poder. Ser forte não é ser arrogante ou incapaz de se relacionar com os outros e estreitar laços ou confiar. Ser forte é manter-me fiel a mim mesma e aos meus valores e princípios, é não deixar que me pisem nem pisar ninguém, é ter entrega às minhas pessoas e aos meus objectivos, é nunca perder a chama de querer ser uma versão cada vez melhor de mim mesma, é ter compaixão e empatia com os outros e comigo mesma mas manter os olhos abertos e a cabeça no lugar para compreender quando é necessário afastar-me do que me intoxica ou não me enriquece. 

Devemos lutar, todos os dias, pela nossa autonomia: por muito que as nossas pessoas sejam fundamentais na nossa vida, por muito que nos ajudem, por muito que seja maravilhoso tê-los a todos como pilar, a nossa autonomia é tudo, desde passar a ferro a conduzir um carro. Desde cedo que a minha mãe ensinou-me tudo o que podia para eu conseguir conquistar as minhas coisas. Começamos sempre da estaca zero e nunca é tarde para querermos ganhar uma nova independência. A ignorância é o primeiro passo para dependermos dos outros para sobrevivermos e desde cedo que aprendi a ter curiosidade, a querer saber fazer, a conquistar as minhas coisas passo a passo. Cuidar da roupa, fazer limpezas, cozinhar - ainda que pessimamente -, conduzir um carro, ganhar o meu dinheiro e responsabilizar-me pela sua gestão são particularidades gigantes na nossa autonomia que devemos sempre lutar para nunca perder. Valorizar os alicerces das nossas pessoas, sim - sempre! -, mas nunca nos encostarmos unicamente a elas para sermos pessoas capazes.

Feliz aniversário, mãe!