quarta-feira, 23 de maio de 2018

DIY || Suporte Vinil


Sempre adorei assistir a vídeos de DIY e o meu programa preferido em miúda era o Art Attack. Mas conseguir, efectivamente, recriar as coisas que faziam, isso já é outra história. Por norma, sou um desastre e as coisas nunca acabam por correr como seria suposto. É por isso que quando experimento um DIY e corre bem, gosto de o partilhar convosco: porque se eu consigo, podem ter absoluta certeza de que vocês também!

O meu objectivo era fazer um suporte para cd's. A forma como estavam organizados não me estava a agradar, mas não queria um suporte comum. Foi por isso que experimentei este DIY. Mas podem adaptá-lo para livros ou vinis.

Passo 1 | Tudo o que vão precisar é de vinis, claro! Consoante o tamanho do que querem suportar, podem alternar entre um vinil de tamanho normal ou dos mais pequenos. Como queria suportar cd's, optei pelo vinil mais pequeno. Lojas de usados são o melhor local para procurarem um vinil que não vos custe estragar, e foi lá que encontrei o meu, a um euro. E não se preocupem! Não era, definitivamente, um clássico! Uma das coisas que podem apostar durante a vossa busca pelo vinil perfeito é a etiqueta. As cores, o padrão ou design podem fazer a diferença para combinar mais com a decoração do vosso espaço.

Passo 2 | Vertam água a ferver dentro de um recipiente. É importante que o recipiente tenha uma superfície lisa e que seja largo o suficiente para pelo menos metade do vosso vinil caber no interior.

Passo 3 | Mergulhem a metade do vinil que querem dobrar na água a ferver e observem a magia a acontecer! O vinil amolece quase de imediato e podem, então, atribuir-lhe o formato que desejarem! Neste caso, queremos que sirva como suporte e que faça um ângulo de 90º, portanto, assim que o material ficar mole, precisamos de o começar a dobrar. Aproveitem a superfície lisa do recipiente para se guiarem e manterem a base direitinha.

Passo 4 | Depois de moldado, retiramos o vinil da água, secamos, e deixamos arrefecer. Recomendo que utilizem algum objecto liso e pesado para colocarem em cima da base, para que o vinil arrefeça na forma que lhe moldámos (um dicionário ou enciclopédia servem, por exemplo). O vinil enrijece em pouquíssimos minutos, pelo que podem usá-lo logo de seguida como o vosso novo suporte. Fácil e rápido!

Não é original? Não dá um toque diferente e único à decoração? Eu acho que sim. Sem dúvida um DIY que todos os amantes de música têm de experimentar! Se o fizerem, mostrem-me como ficou, combinado?

segunda-feira, 21 de maio de 2018

BOM GARFO || Taberna Belga


Quando pedi dicas dos melhores lugares para visitar por Braga, no meu Instagram@innmartinsm —, quase 100% das respostas que obtive incluíam a Taberna Belga. Já tínhamos decidido que queríamos experimentar a francesinha bracarense — que é diferente da típica do Porto — e compreendemos que este era o lugar popular que não podíamos deixar passar.

Fomos num sábado à noite, relativamente cedo, e eu temia as filas que todas as reviews prometiam que íamos encontrar. Porém, ao chegarmos, encontrámos salas cheias de mesas disponíveis e não esperámos tempo nenhum. Mas não se deixem enganar; em pouquíssimos minutos, a casa encheu completamente.

Duas francesinhas — ovo para ti, sem ovo para mim — e já está! O pedido mais esfomeado e fácil do mundo! No entanto, a espera ainda foi grande — a lentidão dos pedidos não é boa aliada à popularidade da casa —. Se vão à Taberna Belga, preparem-se para a enorme expectativa e para a impaciência do estômago caprichoso!!!


Uma francesinha gigantesca e uma dose de batatas absurda e que nos fez esfregar as mãos de felicidade! Estou a par de que muitos bracarenses sabem de uns quantos lugares onde prometem francesinhas melhores — mas menos populares — que a Taberna Belga mas, na verdade, eu achei esta francesinha muito boa e acho que a popularidade é merecida. O queijo estava mesmo derretido, as carnes eram óptimas e a dose de molho estava perfeita. E agora: Porto ou Braga? É uma escolha difícil, porém, a minha resposta vai ser a la Inês: a francesinha d'O Forno, a única que fui capaz de comer toda até ao fim. Nem Porto, nem Braga. O Forno.


Saímos a abarrotar mas, na verdade, quem estava pelas costuras era o restaurante. Disse que não apanhámos fila? Porque fomos fora de horas. No momento em que saímos, vi a maior enchente de pessoas a aguardar mesa. Um número abismal que só consigo comparar à fila dos Pastéis de Belém. Chegar fora de hora e com muita fome é a minha recomendação final. Há lugares que só se sustentam pelo nome. Não é o caso da Taberna Belga.

P.S. - Não imaginam a quantidade de vezes que me enganei nesta publicação e escrevi 'Belka' em vez de 'Belga'. Ups!
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Rua Cónego Luciano Afonso dos Santos, 14, 4700-048
Braga
Contacto: 253 042 708

domingo, 20 de maio de 2018

INSTAGRAM || @ibrandling

As Inêses sabem sempre ser criativas, não é? (um comentário nada tendencioso!). Descobri o Instagram da Inês através de outra conta que a mesma gere — e que sobre a qual eu já falei aqui —, o @lisboa.come. E desde então sou fã assumida. 

Podem contar com registos lindíssimos de cidade — sendo que a grande protagonista costuma ser Lisboa, mas a Inês vai registando também os melhores detalhes dos lugares por onde passa — e com fotografias de mesas cheias. Eu adoro uma boa mesa cheia — de amigos, de família, de conversas! — mas quando a mesa também pode ficar cheia de pratos diferentes e bebidas, sinto-me feliz e é essa sensação que a Inês consegue garantir-me em toda a foto de mesa cheia que partilha. Sempre com um enorme cuidado com os elementos, composição e disposição.

Poderia justificar que adoro a sua conta pelas fotos extraordinárias que tira, mas acho que o que traz um outro encanto e autenticidade à Inês é o facto de o @ibrandling ter muita identidade. É uma conta absolutamente completa; as descrições das fotografias são fabulosas e normalmente têm sempre um toque de humor. Costumam não estar relacionadas com a fotografia e são momentos da sua vida caricatos que ela partilha sem filtros e nem vontade de transformar a situação em algo que não foi. O resultado? Boa disposição, claro. Ver uma fotografia incrível e ainda esboçar um sorriso enquanto abanamos a cabeça: há alguém que resista?
As Instastories são também um ponto digno de atenção porque valem muito a pena assistir. Quer porque é por lá que partilha os seus Antes/Depois de edição, quer porque faz sondagens absolutamente geniais — e que, por ter um número tão avantajado de seguidores, garante uma percentagem de respostas considerável — quer porque partilha dicas, contas de Instagram preferidas do momento... A Inês faz recurso aos Instastories não como registo do dia-a-dia (embora faça bom uso dele quando algo vale a pena ser partilhado no momento), mas sim como um elemento secundário da sua conta onde partilha as suas ferramentas, inspirações e tenta criar alguma interacção com os seus seguidores. Acabamos por saber que, se a Inês publicou algo nos stories, é porque vale a pena assistir. Por fim, Aveiro é a sua casa e deixou Lisboa entrar como uma das cidades da sua vida. Como não ter empatia por ela?

Não creio que esteja a partilhar uma pérola escondida mas os bons trabalhos e o bom uso de uma rede merecem ser aplaudidos e referidos vezes e vezes sem conta, mesmo que já todos a conheçam. É a minha conta preferida, do momento.

sábado, 19 de maio de 2018

EVENTOS || Bênção das Fitas da Gazela

Este sábado, a Gazela vai a celebrar a sua consagração como Finalista na Bênção das Fitas, e é uma etapa que traz um misto de emoções para mim, enquanto Madrinha. Sinto que o tempo passa a voar, sinto que ainda ontem estava a corrigir-lhe as letras das canções, sinto um imenso orgulho e honra por poder dividir isto de uma forma próxima. Com as chuteiras — neste caso, o traje — já arrumadas, a vida académica mais do que finalizada e sem intenções de prolongar etapas que só fazem sentido serem desfrutadas no tempo em que têm de durar (mesmo que tragam milhões de saudades), a minha participação nas ocasiões académicas está mais do que rara, e como não acho piada nenhuma andar de capa aos ombros e vestida à civil — ou visto-me a rigor como se merece ou mais vale não levar nada —, todo este universo que eu sempre estimei vê-se (e muito bem) reduzido a estes momentos finais e dignos de celebração entre os meus miúdos. E a primeira é a (minha) Gazela, que fez questão de me perguntar se estaria presente. Fiz todos os esforços para agora poder ir de sorriso rasgado celebrar o momento dela.

Custou-me durante muito tempo encarar isto, mas o meu percurso enquanto Madrinha não foi imaculado nem perfeito. Existiram muitos factores para que isso acontecesse (muitos deles nem dependiam de mim), mas durante alguns anos da minha vida académica debati-me e perguntei-me muitas vezes se estaria a ser uma boa Madrinha. Sempre encarei todos os que chegaram à minha capa de carta verde na mão com a maior das surpresas e aceitei todos com a maior das honras — porque parecia surreal que me quisessem escolher —. A Ana e o Rui puxaram-me para cima e mostraram-me com toda a firmeza que sim, que eu fui e sou uma boa Madrinha. A melhor que sei ser. Porque entreguei todos os valores e carinho da mesma forma a todos os meus miúdos. E a partir daí, cada um é responsável para operá-los e adaptá-los aos seus próprios princípios e vontades. Defendendi o defensável e fui sempre a primeira a chamar a atenção ao que não me parecia correcto.

Sempre caracterizei-me como uma Madrinha Omnipresente que acompanha tudo no paralelo; não precisava de estar nas aulas com eles para lhes dar tudo o que precisassem para se orientarem. Não precisava de beber imperiais com eles na esplanada para saberem que o que não me falta é boa disposição. Não precisava de fazer declarações incessantes de carinho para saberem que eu estava à distância de qualquer telefonema. E não precisavam de qualquer tipo de provas para saberem que eu sabia. Eu simplesmente sempre soube quando algum estava bem, estava encaminhado, estava a passar dificuldades, quando algum estava triste ou desmotivado. Não precisava de estar com eles todos os dias para o saber. E a maior parte das vezes que me recorriam para pedir ajuda, não só já sabia como estava preparada. E essa capacidade ninguém me tira. Acho que posso afirmar que fui e sou uma Madrinha bem disposta e sempre com muita vontade de os fazer sentirem-se bem debaixo da minha capa — mesmo quando ela não está fisicamente presente —. Mas também fui e sou uma Madrinha polícia, a primeira a corrigir, a chamar a atenção, a dizer como se faz.

Tenho muito orgulho na minha Gazela. Somos um pouco diferentes mas reconheci-lhe muitas coisas que convergem comigo: a noção de compromisso, de querer aprender, de saber desenrascar-se e desenvencilhar-se. É muito mais tímida do que eu, é muito mais doce do que eu, é muito mais generosa do que eu. E é tão bom reconhecer-lhe isso em todas as ocasiões...!
Dá uma sensação de orgulho profunda quando reconhecemos os nossos valores e passadas nos nossos Afilhados. E reconhecer que a Ana foi uma miúda exemplar faz-me sentir radiante. Está crescida, já tem o seu miúdo também para acompanhar — e massacrar!!! — e o momento, agora, é todo dela.

Nunca deixamos de ser Madrinhas. Deixamos de ser trajadas, deixamos uma série de tradições para trás, despedimo-nos de muitas rotinas e celebrações. Mas nunca deixamos de ser Madrinhas. A minha capa estará sempre a aconchegar-te os ombros.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

SÉRIES || Genius: Picasso


A segunda temporada de Genius já estreou no National Geographic, e depois de ter partilhado convosco no que é que consistia a série e por que é que gostava tanto dela, na primeira temporada, julguei que não se justificava voltar a fazer uma publicação sobre a mesma.
Depois de uma primeira temporada maravilhosa com Albert Einstein, a segunda temporada brindou-nos com um génio e uma área totalmente diferentes: Pablo Picasso. E arrisco-me a dizer que a única semelhança entre uma temporada e outra é a série a que pertencem e o canal em que é transmitido.

Assim que assisti aos primeiros episódios compreendi que cada temporada e cada génio iam ter direito ao seu estilo próprio e a uma forma de contar a história diferentes. E não só faz todo o sentido como é aí que reside o brilhantismo da ideia. O próprio arranjo da música de abertura de Hans Zimmer é diferente consoante o protagonista. A dinâmica da narrativa também é diferente e a linha temporal não obedece às mesmas regras (pelo menos, não entre Einstein e Picasso). Cada um foi apresentado respeitando o seu estilo e individualidade, e isso faz com que nem pareça que estamos a assistir à mesma série. Cada temporada é única e uma não está correlacionada com a outra — podem começar a série por Picasso e só depois assistir a Einstein e não perdem nada, porque as histórias nem se cruzam —. Esta particularidade terá sempre duas faces da moeda; há quem possa gostar mais de uma temporada do que de outra. No entanto, existem pormenores muito coesos que nos fazem compreender que os dois tinham de pertencer à mesma série.

A segunda temporada ainda não terminou mas tenho devorado cada episódio com um brilho no olhar. Estou a gostar tanto da temporada de Picasso como gostei da de Einstein. Algumas das principais críticas foi a mistura de linhas temporais que tornava os primeiros episódios confusos e a introdução de personagens sem compreendermos o seu papel na influência do pintor espanhol. Eu achei que era precisamente isso que trazia uma frescura e inovação à série, apropriada se estamos a falar de um outro génio. No final, tudo faz sentido — como era de esperar —. Interpretado por Antonio Banderas, o que realmente achei genius foi a forma brilhante como conseguiram ligar os acontecimentos da vida de Picasso com as suas pinturas — que, com o coração a transbordar de gratidão, posso dizer que tive o privilégio de já ter visto quaaase todas — e torná-las ainda mais especiais. É muito enriquecedor e libertador observarmos uma pintura e conseguirmos visualizar a pessoa, a história da pintura e todo o processo do pintor para lá chegar. Sem dúvida que vou observar os quadros dele, a partir de agora, de uma forma ainda mais próxima.

Com os amantes da ciência já satisfeitos, chegou a altura de agradar os amantes da arte. Eu confesso que estou mais do que satisfeita! E vocês? Que têm achado desta segunda temporada? Já assistiram à série? Aproveitem uma sexta-feira mais relaxante para fazerem a maratona!

quinta-feira, 17 de maio de 2018

ON JOB || Trabalhos Dignos


O meu primeiro emprego foi como lojista, na Decathlon. Não estava a conseguir cumprir os objectivos que me tinha proposto para a minha pós-licenciatura e, embora isso me deixasse frustrada, desanimada e praticamente traumatizada, ficar parada não era opção — e não me iria reconhecer se a escolhesse —. Portanto, fiz o que me parecia ser mais lógico: imprimi uma série de currículos e fui bater a todas as portas, sem experiência nenhuma. Estava com medo? Não. Estava aterrorizada. Mas tinha de fazer o que fosse preciso.

Embora, hoje em dia, sejam privilegiadas as candidaturas e plataformas online, sei que foi o facto de me ter chegado à frente ao balcão, da forma mais tradicional de sempre e ter dito 'posso deixar aqui o meu CV?', que me conquistou uma entrevista. Quando olho para a apresentação do CV que entreguei, na altura, dá-me um aperto no peito de vergonha e agradeço ter conseguido mostrar quem sou e do que sou capaz pessoalmente. Mas é assim que se aprende. Não há outra forma mais eficaz.

Fui a três entrevistas e consegui o meu lugar. O meu primeiro emprego. Fiz tudo; arrumei stock, fiz horário de abertura de loja, fiz horário de fecho de loja, estive presente na chegada dos novos artigos, mudei a disposição dos produtos, fiz caixa, aprendi conceitos e tarefas que nunca na minha vida iria aprender de outra forma, lidei com clientes incríveis e também fui muito destratada por clientes que tinham tido um mau dia e decidiam descarregar em nós porque nos viam como se fôssemos inferiores ou mesmo burros por trabalharmos ali. Claro, também meti muita pata na poça durante a minha passagem por lá. Faz tudo parte da aprendizagem.

Partilhei convosco que o meu primeiro emprego foi uma óptima experiência e confirmo. Sei que isto pode surpreender quem já foi lojista — pelo menos os meus amigos ficaram surpreendidos — mas a verdade é que me dava muito bem com o meu chefe, a minha responsável e gerente era impecável e toda a equipa que trabalhava na loja era simpática, prestável, paciente e compreensiva comigo, sem ambientes desagradáveis. Não sentia que alguém me queria tramar ou implicava comigo, qualquer imprevisto ou algo que precisasse de aprender era bem recebido e terminei toda a experiência com muito orgulho em mim e das pessoas com quem trabalhei, extraordinárias. É raro, eu sei, mas sou muito grata por isso.

Existe — e não se aborda muito, mas é inegável — uma certa vergonha em aceitar ou dizer que se fez determinados trabalhos que, no silêncio escondido de muita gente, se consideram 'pouco dignos'. Dignos para o seu grau académico, intelecto ou aspirações. Ser caixa num supermercado, vender perfumes num shopping ou limpar ruas ainda parece ser algo digno de vergonha ou de derrota, de falhados. Se estamos lá é porque não conseguimos nada melhor. Porém, confesso que nunca tive esta visão.

Fui trabalhar porque não queria ficar sentada em casa. Não queria chorar por ser um tesouro em bruto que ninguém notava, ou por não aproveitarem o meu potencial. Se era o meu emprego de sonho? Não. Mas os empregos de sonho não se conseguem escondidos do mundo, no nosso quarto. E se o caminho mais fácil e mais natural parecia inacessível, dei a volta e deixei que as minhas capacidades e relevância comunicassem por si. Fui lojista, mas podia ter servido às mesas ou feito caixa num Supermercado. Trabalhei. Conheci pessoas e cheguei a outros caminhos que não sei se teria conhecido ou chegado se não tivesse começado desta forma.

Sei que tem um gosto de conto de fadas e que pode não ser uma verdade global. E eu compreendo. Mas foi algo que resultou comigo e que resulta com tantas pessoas ao meu redor. Como não acreditar que é este o caminho que faz sentido? Como não acreditar que só temos trabalho quando já estamos a trabalhar (seja no que for) e a dar a cara, a ir aos lugares, a falar com as pessoas?

Mesmo que nada disto tivesse resultado neste caminho onde estou agora (e mesmo que tudo daqui em diante corra mal) contactei com os valores profissionais — que são os mesmos a limpar chão e a enviar e-mails importantes —, experimentei novos desafios que me permitiram conhecer melhor e descobrir capacidades que não sabia que tinha, e ganhei estaleca. Muitas das coisas que aprendi valem-me para a vida e não apenas para uma área em particular. E não é isso que devíamos almejar? Crescimento pessoal? Desenvolvimento de capacidades (profissionais e inter-pessoais)? E se conseguimos isto nestes empregos, o que têm de indigno, de vergonha, de falhanço ou desaprovação? É preferível ficar estagnado?

Um trabalho que respeite a nossa dignidade e apresente um salário conforme às funções já é digno por si só. E o meu avô sempre disse 'antes um trabalho na mão que nenhum'. Bom, se vos garante estes dois pontos, eu concordo. Há que fazer o que tiver de ser feito para crescermos, para construirmos os nossos objectivos e a nossa autonomia. E darmos a cara. Não há que ter vergonha de abraçarmos camisolas inesperadas, não há pouca dignidade em termos de seguir um outro caminho enquanto procuramos a ponte que nos leva à rota que queremos. Há maturidade, isso sim. Estamos a encarar a realidade arregaçando as mangas e não aceitamos um 'não' do mundo como resposta. E podem ter a certeza de que a Inês de hoje trabalha com o mesmo afinco e vontade de aprender que a Inês que se apresentou para o seu primeiro dia numa loja. E trabalharei sempre assim. Sem vergonha. Porque a dignidade não está no trabalho que escolhi e sim nos meus valores como pessoa e trabalhadora. E esforço-me muito para que sejam inquestionáveis.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

APP || Evil Apples


Em 2015, apresentei-vos o jogo de cartas mais mordaz e divertido de sempre para jogarem entre amigos, o Cards Against Humanity. Continua a ser o meu jogo de cartas preferido, mas hoje quero apresentar-vos uma aplicação giríssima — e que se pode revelar muito útil —: Evil Apples.

Numa rápida pesquisa pelas vossas app stores, vão descobrir que o que não faltam são aplicações que tentam recriar o jogo, mas a melhor — e a que vos recomendo — é efectivamente a Evil Apples. A começar, porque a aplicação disponibiliza os dois baralhos — preto e branco — enquanto que na maior parte das restantes aplicações, têm de comprar uma das cores. Outras vantagens? Não há limite de jogos, podem adquirir novos baralhos com respostas mais variadas ou temáticas com os pontos que acumularem nas vitórias — isto é, de forma gratuita — e podem jogar com amigos.

Uma das coisas que nos fez adorar esta aplicação foi o facto de estar sempre à mão. Foram incontáveis as vezes que, num épico jantar, alguém se esqueceu de trazer o jogo. Embora a opção de jogo com amigos esteja limitada a três jogadores, a solução recai sempre no modo de jogo com estranhos. Seleccionamos, ao mesmo tempo, esse modo de jogo nos nossos telemóveis e, por localização, acabamos todos a jogar juntos. O número de jogadores continua a ser limitado, mas não tanto como no modo de jogo com amigos.

A opção física do baralho continua a ser a nossa escolha vencedora, mas em momentos de esquecimento — ou quando dá simplesmente vontade de jogar — a aplicação cumpre na perfeição o seu objectivo com a garantia de que todas as cartas de ambos os baralhos são criativas, divertidas e variadas. Evil Apples é uma aplicação gratuita e está disponível tanto para iOS como para Android.

terça-feira, 15 de maio de 2018

BOM GARFO || Spirito Braga


Depois da minha estreia na Spirito do Porto, a visita à casa de Braga — a primeira, a original — foi muito mais uma questão de gula do que propriamente uma questão de prova. Se eu der a desculpa de que queria mesmo confirmar que os cupcakes eram saborosos, é valido? Então vamos todos dizer que sim.

Significativamente mais pequenina que a do Porto, visitámos a Spirito logo após o almoço a fim de desfrutarmos do momento de sobremesa por lá. O céu estava com má cara, o vento não era agradável e convidava-nos a entrar em vez de ficar na esplanada — que tinha uma óptima pinta! —. A hora era atípica, mas só havia uma pequena mesa ao fundo à nossa espera. Como já calculava, o lugar estava cheio.


Há uns meses, partilhei convosco que tinha encontrado uns cupcakes muito parecidos com os da Spirito e que, para os desconsolados lisboetas, seria a solução mais gulosa para viverem uma experiência semelhante. Mas como o afirmei quase um ano depois de ter provado os da Spirito pela primeira vez, decidi tirar as derradeiras conclusões (não estão a adorar a minha desculpa esfarrapada para comer um redvelvet cupcake?).

Todos os cupcakes tinham óptima aspecto e tinha a certeza de que o sucesso não se ia ficar apenas pela aparência. O difícil de entrar na Spirito é não podermos pedir tudo e aceitar as consequências de uma grande dor de barriga e uma bomba de açúcar. Há tanto para (a)provar e saborear! Ainda bem que não vivo em Braga (ou no Porto!). 


A Spirito é também conhecida pela sua vasta gama de sabores de gelado originais, que vai sempre mudando e surpreendendo os seus clientes. À data que os visitei, porém, não encontrei nenhum sabor extraordinário — hoje em dia a maior parte das casas de gelado já apanhou a ideia, e a inovação acaba por ser uma constante em qualquer loja de cone ou copo — portanto, matei saudades do cupcake e confirmo o que disse em relação ao seu semelhante lisboeta. O meu estudo científico tem agora um novo dado geográfico que o corrobora! Pedi também um chá de baunilha para levar e aquecer a garganta e as mãos durante o nosso passeio pelas ruas, mas este, confesso, não fiquei fã. A base da infusão é de camomila, que eu detesto. Sou suspeita, portanto, tenham isso em conta.


A Spirito é a casa das delícias, a casa dos doces que não tem bruxa e onde podemos ser felizes. É o lugar perfeito para adocicarem o estômago junto das pessoas que já vos adocicam a vida.
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Largo de São João do Souto, 19, 4700-326
Braga
Contacto: 253 062 861

segunda-feira, 14 de maio de 2018

PASSAPORTE || Por Braga


Conhecida, com um grande toque de humor, por ser o 'penico do céu', mas que nos brindou durante todos os dias com um Sol que há muito desejava e um calor de Primavera-Verão que só o nosso país consegue oferecer. Só tinha estado em Braga uma vez, em miúda, e de passagem. Parámos o carro para almoçar no primeiro lugar que encontrámos — e por ser uma recordação tão antiga e irrelevante, nem sequer me recordo do nome do restaurante — e seguimos caminho na nossa viagem. Este foi o derradeiro aperto de mão que já sentia que eu e a cidade merecíamos há muitos anos.


Sou suspeita por adorar cidades nortenhas, e Braga não podia ser a excepção; a arquitectura escura e colorida que só as cidades a norte conseguem caracterizar tão bem e a simpatia em todos os lugares, ocasiões e contextos que cada vez mais se perde e cada vez mais se torna urgente. 


Em Braga, senti-me em casa e totalmente orientada. Atribuo grande parte da culpa à forte e adorável comunidade bracarense da Blogosfera; são anos e anos a ver as fotografias, detalhes e recomendações da mesma cidade. A minha memória e todas estas referências tão locais ajudaram-me a sentir uma familiaridade especial que não consigo sentir por toda e qualquer cidade. A única coisa que me faria entristecer por viver em Braga seria a ausência de uma praia a 15 minutos de distância, como é habitual em todas as cidades da minha vida.


Em Braga, tudo é perto e sentimos a verdadeira energia de uma cidade; não necessariamente urbana — e tanta gente confunde os conceitos —. Eu gosto de cidades que abracem a sua condição e se apresentem com dinamismo, energia, eventos e pessoas. É considerada a cidade mais jovem de Portugal e o mérito verifica-se em cada rua, em cada grupo de amigos que partilha cafés na esplanada, em cada par de amigas que descem a rua, distraídas nas suas conversas, aliadas ao resto do mundo. As ruas estão sempre cheias, não importa o dia da semana, e todos os lugares respiram a vida e o quotidiano agitado (positivamente) dos bracarenses. E eu adoro esse ambiente. De rua. De passear na rua, de fazer tudo nas avenidas, de não me esconder em espaços fechados nem em casa depois das seis da tarde.


Fiz em Braga uma das coisas que mais amo fazer em viagem: passear sozinha pela cidade adormecida. No meu último dia, umas horas antes de ir tomar pequeno-almoço com elas, saí à rua num Domingo matinal, sozinha. Já conhecia a cidade na palma da mão e sabia os lugares para onde ir, as ruas onde virar e o que me esperava em cada esquina, como se a cidade fosse minha. De música nos ouvidos e telemóvel pronto para captar todos os detalhes bonitos — que agora partilho convosco —, este foi um dos passeios que mais gostei de fazer e o derradeiro para fortalecer os meus laços com a cidade: só eu e ela.


Uma manhã de Domingo onde a cidade ainda dormia e recuperava da agitação de sábado. Nessa manhã, pude observar Braga numa faceta totalmente nova e que ainda não tinha observado: adormecida, sem vivalma. Parecia que as ruas estendiam-se aos meus pés e as paisagens construíam-se para mim. Para ver tudo sem obstrução, sem me desviar. Com todo o tempo de antena para mim.

Andei pelas ruas, avenidas e praças desertas, uma raridade até então. Ouvi os sinos, que tocavam só para mim, como se sempre soubessem que é um dos traços perdidos da cidade que mais gosto de ouvir. E todas as poucas pessoas com que me cruzei partilharam 'Bom dia' comigo, porque a sensação aldeã do norte nunca morre — e é isso que a torna tão maravilhosa e apaixonante.


Tive tempo para ver a cidade ganhar ritmo, pessoas e agitação. Passeei de mãos nos bolsos, sempre consciente de onde me encontrava. Esta curta viagem por Braga ficará para sempre no meu coração, não só por este passeio privilegiado ou pelos detalhes que lhe dão uma personalidade e charme encantadores, mas por todas as aventuras que dividi (bem) acompanhada, por toda a paz de espírito que trouxe de volta ao meu corpo e por todos os momentos inesquecíveis e finalmentes que pude viver. Sabemos que a viagem foi intensa e especial quando entramos no transporte de regresso com um nó no estômago e a vontade de dizer, de forma infantil, 'só mais cinco minutos'. Por ti, Braga, eu ficava mais dez.

domingo, 13 de maio de 2018

FILMES || Woman In Gold


Durante a ocupação nazi, centenas de milhares de pertences de valor incalculável — material e sentimental — foram roubados de inúmeras famílias. A grande maioria, nunca chegou a reavê-las, mas muitos outros lutaram para ter de volta aquilo que lhes era seu por direito. Foi o caso de Maria Altmann, judia sobrevivente da Segunda Guerra Mundial que pediu auxílio a um advogado inexperiente — mas que tinha ligações profundas com a cultura e família de Maria — para reaver um dos seus bens mais preciosos e sentimentais (e quando assistirem ao filme compreenderão porquê): Woman in Gold, de Gustav Klimt, diz-vos alguma coisa? (por curiosidade, partilhei convosco que recebi uma caneca com esta pintura no Natal, aqui).

Esta é uma história verídica que vai transitando entre os Estados Unidos e a Áustria, e entre a década de 90 e 40, através das recordações de Maria e de tudo o que teve de enfrentar — e viver —. O que não faltam são obras cinematográficas relativas aos inúmeros horrores associados à Segunda Guerra Mundial e à ocupação nazi, porém, este tema é, pelas mais óbvias razões e interesses, pouco explorado. É que muito do espólio de alguns museus de renome é garantido graças a estes furtos que nunca tiveram a justiça merecida para os verdadeiros donos.

Foi um dos filmes relacionados à II Guerra Mundial mais leves que já assisti e traz um sabor agridoce à cultura Austríaca — tanto na recepção aos nazis, na época, quanto à luta para ficarem com os quadros de Klimt, em 1998 — mas que conta também com registos fabulosos de uma das cidades europeias mais bonitas e que reflecte muito bem a beleza de Viena (facto não garantido por mim que, infelizmente, nunca a visitei, mas pela minha mãe, que assistiu ao filme e já caminhou por aquelas ruas). Adoro histórias verídicas e sou fascinada por histórias escondidas por detrás dos mais inesperados artefactos. Se querem um filme agradável, nada pesado, são interessados por arte e por Áustria, vale totalmente a pena.