domingo, 13 de julho de 2014

FACULDADE || 2º semestre de Ciências da Nutrição (Ano 2)


No âmbito do "desafio" da Carolina., venho falar-vos do meu segundo semestre do 2º ano em Ciências da Nutrição.

O meu semestre começou com uma mudança na avaliação, o que me deixou bastante apreensiva, não só na primeira semana mas durante toda a segunda parte do ano lectivo. Todas as avaliações seriam feitas agora de forma contínua (o que não acontecia até lá, alguns professores optavam por fazer apenas um exame na época de exames, sem recorrer a frequências) e a média na avaliação contínua era o método para determinar se passávamos ou não. No segundo semestre mudou, obrigando os professores a dar-nos a oportunidade de avaliação continua (ou seja, termos a oportunidade de fazer qualquer cadeira por frequências) mas com a condição de ter obrigatoriedade de 9,5 no mínimo em cada uma das frequências para que não tivéssemos de ir a exame. Ou seja, eu teria obrigatoriamente de ter positiva em qualquer frequência se quisesse passar à cadeira. Ter 20 na primeira frequência e 9,4 na outra significava entrada directa para um recurso. Mas se tivesse 9,5 e 9,5 a média era feita entre estas duas notas e era aprovada em fase continua. Facilitismos nas privadas, ouvi dizer.

Alimentação e Nutrição Humana II (ANHII), Métodos de Avaliação do Estado Nutricional (MAEN), Fisiologia II, Imunologia, Farmacologia e Informática foram as cadeiras (ou cadeirões) que figuraram este segundo semestre. ANHII, onde estudámos a nutrição dos bebés lindos e quicos, da adolescência, vida adulta e idade avançada. Nutrição durante um ciclo de vida, salientando os pontos mais importantes em cada fase da vida, porque há sempre detalhes que temos de ter em conta. Falámos também da gravidez, os must-know quando lidamos com uma grávida e o que é proibido pedir a uma grávida para fazer a nível nutricional.

MAEN foi a segunda cadeira mais específica do curso e trata-se de formas de diagnóstico de um paciente. Como diagnosticar alguém malnutrido, ou um distúrbio, uma possível doença através dos sinais exteriores (visão, forma de falar, cor da pele, cheiro, cabelo), como fazer medições de peso e perímetros, o que perguntar... Focou, mais uma vez, na forma como devemos trabalhar com o nosso paciente, que métodos usar quando estão acamados ou incapacitados e que inquéritos utilizar se estamos a falar com crianças ou pessoas de idade avançada. Muito útil.

Seguiram-se os cadeirões Fisiologia II, Farmacologia e Imunologia. Fisiologia II já tinha sobre os ombros um fantasma gigante do 1º semestre, em que tive uma excelente nota no primeiro teste e uma nota miserável no segundo. Se o mesmo se repetisse este semestre com o novo método de avaliação eu teria de ir a exame e ninguém quer ir a exame a este cadeirão. Suei por esta cadeira, especialmente na segunda frequência em que só tive 5 horas da noite de véspera para a estudar mais de 300 slides. Dei a minha alma ao Diabo por ela.
Farmacologia apostou na Farmácia e na medicação. Eu nunca gostei de farmácia ou de medicamentos, o que dificultou um bocado a forma como quis lidar com a cadeira. Felizmente tenho um Padrinho de Farmácia genial que fez com que olhar para Farmacologia fosse uma cadeira de meninos. Além disso focou-nos na química - na componente prática - o que me fez matar saudades da química de Secundário que tanto gostava.

Imunologia foi a minha luta. Sempre adorei o sistema imunitário e no Secundário tive boas notas nessa área, mas o tipo de teste deste professor era, no mínimo, satânica: o teste era todo escolhas múltiplas que descontavam e cinco delas estavam marcadas no teste como "Selectiva". Isso significava que se não respondesse a uma dessas 5 selectivas ou escolhesse a opção errada, a minha prova era anulada automaticamente e chumbava. Podia ter tudo certo mas, se errasse uma selectiva, chumbava. E isso fez-me entrar numa luta entre anticorpos e fagocitoses.

Informática foi a cadeira mais leve deste semestre onde descobrimos programas que nos podiam ser úteis na área da Nutrição como bases de dados e até mesmo programas específicos de Nutrição clínica nos quais me apaixonei e quero muito tê-los no meu escritório se vier algum dia a trabalhar nesta área.

Este 2º semestre foi de uma intensa luta, muitos apontamentos e muitas horas acordada. Senti que estou cada vez mais organizada e isso reflectiu-se nos meus apontamentos e no meu estudo. Comecei a fazer as coisas mais cedo e a ser mais expedita, tanto nas aulas como nos apontamentos dos cadernos e isso foi uma grande ajuda para conseguir terminar trabalhos no prazo delineado, ter os apontamentos todos prontos e feitos para todas as frequências, ter mais tempo para assimilar e estudar e não para escrever e controlar a ansiedade. Fui uma miúda muito mais calma do que no 1º semestre mas com muito mais trabalho e com o peso da avaliação nos ombros. Fui mais focada e determinada e penso que isso se deveu ao novo método de avaliação: não podes falhar e tens de ser impecável. Ganhei um pouco mais de ambição e de concentração e encaro isso de forma positiva pois nem toda a gente conseguiu ver este método como algo positivo na sua vida académica.

Terminei todas as cadeiras na avaliação contínua (por frequências) excepto Imunologia, na qual só passei no recurso de 1ª fase, o que me deixou muito orgulhosa. É muito raro, pelo menos no meu curso, ter o 2º ano completo e o 1º também e isso dá-me forças para continuar os meus estudos, querer fazer mais cadeiras e permanecer com estes anos feitos sem espinhas. Por muito trabalho que dê e muitas lágrimas, muitas horas sem dormir e algumas desilusões quando queremos tudo feito à primeira e despachar depressa tudo, nada sabe melhor do que dizer "Eu vou a caminho do meu penúltimo ano de Licenciatura e não tenho nenhuma cadeira para trás. Tenho 24 de 24 cadeiras concluídas".


Já agora, pergunta para os caloiros futuros, alguém está a pensar seguir Ciências da Nutrição? Não necessariamente na minha Universidade porque toda a gente a odeia mas alguém está a pensar nesta hipótese? Ir para o Porto? Ou Egas? Ou Atlântica? Estou curiosa...

7 comentários:

  1. Estou a adorar saber mais sobre o teu curso, Inês! Tenho uma amiga em CN no Porto :)

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  2. O teu curso é tão interessante! Vê-se mesmo que gostas daquilo que fazes! :)

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  3. Adorei este texto! Parabéns pelo teu excelente desempenho!
    Beijinho*

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  4. Olá Inês! Este ano entrei em dietética e Nutrição em Coimbra mas acabei por desistir pois não lidei bem com a mudança... concorri à 2fase a algo que nada tem a ver com saúde, no entanto,continuo com dúvidas se deveria seguir nutrição ou não. O meu grande medo é não perceber nada daquilo isto porque, os meus anos de biologia na secundária foram péssimos, digamos que os professores e métodos de ensino não foram os melhores! Achas que as cadeiras que tens no curso são de fácil aprendizagem mesmo para quem já apresenta dúvidas nas bases do secundário ou é algo que consegues adquirir e entender com estudo e dedicação?

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    Respostas
    1. Anónima, já fiz uma FAQ sobre o meu curso aqui no blogue que te dá todas as informações.

      Em QUALQUER CURSO vais ter de adquirir e entender com estudo e dedicação e jamais deves deixar que as más experiências de Secundário te impeçam de seguir o curso que desejas. No caso de biologia, a que dás no Secundário não é muito semelhante à que dás no curso (pelo menos na minha instituição) a não ser genética. Tudo o que envolve DNA/RNA, mutações...
      Mas na minha Universidade, como temos muitas pessoas mais velhas ou de Humanidades, os professores costumam ter isso em atenção e explicam a matéria de Secundário que importa saberem para compreenderem. Não sei se é um aspecto que se reflecte noutras instituições mas, na minha, pessoas de humanidades fazem biologia celular, bioquímica e fisiologia com muito estudo mas com relativo conforto.

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    2. De um modo geral consideras um curso difícil?

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    3. Não te ofendas com o que te vou dizer: essa é a pergunta mais inútil da tua vida. O facto de ser ou não difícil para mim, ou se perguntares ao meu curso todo, vamos ter respostas diferentes e NENHUMA vai igualar-se à tua experiência. Perguntar, em qualquer curso, se é difícil ou não, não vai enriquecer as tuas perspectivas em relação ao mesmo :)

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