domingo, 30 de julho de 2017

ISTO É TÃO INÊS || Reconheço-me


É tão belo e familiar quando nos encontramos nos outros e no mundo. Não no sentido de nos apropriarmos de algo ou alguém, mas no sentido de nos vermos ali, reflectidos, tão nós. Tão Inês. Quando me vejo numa citação do meu livro preferido, na letra das músicas que oiço. Nos sons graves das cordas do violino e nos raios de luz dourados ao final do dia.
Quando me encontro nos meus sabores preferidos, na frescura dos gelados, no aconchego da sopa, do tempero das comidas. Quando vejo o meu trejeito a sorrir no rosto de alguém e os olhos a brilhar da mesma forma. Quando vejo a minha expressão de sempre sair espontaneamente dos lábios de um amigo. Quando o amarelo do girassol me recorda dos meus cabelos loiros a brilhar ao sol e as rosas vermelhas do meu rubor constante em elogios sinceros.
Quando me encontro num personagem de um filme e nas ondas do mar. Na gargalhada das pessoas que gosto, na peculiaridade do Earl Grey Tea com leite que bebo, todas as manhãs. Nas constelações que observo da janela panorâmica do carro, num céu com sardas iguais às minhas. Eu encontro-me no calor do verão e no nublado do outono. Ou quando me sinto espelhada num quadro de um pintor que nunca soube quem era. No som do piano com as luzes de Natal, no inverno.
Encontro-me nos abraços que recebo de quem conhece o meu coração a microscópio. E encontro-me nos poemas sobre o amor - aos outros e a nós próprios. Na frescura de um mergulho de piscina de manhã. Na postura a ouvir da minha mãe. Nas músicas de jazz que escuto num café. Nos temas de conversa que me desafiam.

É uma sensação quentinha, que me aconchega por dentro. Quando nos reconhecemos nos outros, nas coisas, nas sensações, reconhecemos quem somos também. Eu encontro a Inês em qualquer lugar e em qualquer detalhe, se ela lá estiver. Eu conheço-a. E a verdade é que nos adaptamos ao mundo nas suas mais inesperadas e intrigantes características, mas quão belo é saber que uma parte ínfima do mundo tem a cortesia de, também ele, se adaptar a nós? 

5 comentários:

  1. E é fantástico! Não há maneira melhor de nos sentirmos integrados no mundo, que não esse: o de nos reconhecermos em tudo em nosso redor. Faz-nos sentir aceites, completos e felizes com aquilo que temos. É simplesmente magnífico.
    Beijinhos,

    LYNE

    ResponderEliminar
  2. É uma sensação maravilhosa e,diria, difícil de descrever. Mas tu tens esta capacidade e sensibilidade para descrever de forma tão fiel e perfeita estas sensações. Fantástico :)

    ResponderEliminar
  3. Reconhecermo-nos em tudo ao nosso redor e que as nossas pessoas reconheçam em nós aquilo que as faz feliz. Sem dúvida das melhores sensações e tu descreves isto de uma forma tão simples e honesta.
    Beijo enorme, Inn!

    ResponderEliminar
  4. É muito bom esmo quando nos sentimos assim, acho que isso é a felicidade!

    Another Lovely Blog!, http://letrad.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  5. Adorei ler este post! Escreves muito bem! Sem dúvida que vou continuar a seguir o teu blogue!

    diananasnuvens.blogspot.com

    ResponderEliminar

Quaisquer comentários que visem a ofender e/ou afectar a minha integridade, dos meus leitores, comentadores, bloggers ou entidades que refiro nas minhas publicações não serão aceites.

Quaisquer questões colocadas serão respondidas na própria caixa de comentários!

Muito obrigada por estares aqui :)